O volume de crédito para pessoas jurídicas cresceu 2,8% em junho e atingiu R$ 836,44 bilhões. Os dados constam do último relatório divulgado pelo Banco Central (BC), ontem. De acordo com o relatório da autoridade monetária, dos R$ 836,44 bilhões concedidos a empresas, R$ 511,63 bilhões ou 61,16% foram créditos de recursos livres. A diferença de R$ 324,81 bilhões ou 38,84% veio de recursos direcionados, com destaque para a forte atuação dos bancos estatais, como o BNDES.
Para efeito de comparação, o crédito para pessoas físicas avançou 1% no mesmo período, de R$ 685,4 bilhões em maio para R$ 692,56 bilhões em junho.
E é fato que os recursos para pessoas físicas são originados na iniciativa privada. O montante de crédito proveniente de recursos livres do sistema financeiro para pessoas físicas atingiu R$ 505,73 bilhões ou 73% desse total.
Os recursos direcionados para pessoas físicas, predominantemente ao crédito imobiliário, alcançaram R$ 186,83 bilhões, com crescimento de 1,83% sobre maio. "Tirando a pujança do crédito imobiliário, não existe uma bolha de crescimento do crédito para consumo, e a inadimplência continua caindo mês a mês", avalia Alexandre Chaia, do Insper.
"O crédito deve continuar crescendo, mas deve crescer a um ritmo menor", avaliou o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.
O professor apontou o ritmo menor do crescimento do crédito. "A tendência de alta das taxas de juros já está influenciando o crescimento da economia", constata Leite.
Mas no longo prazo ele está mais otimista. "A tendência futura é de baixa das taxas praticadas. Os spreads podem sofrer alguma alteração com o aumento da concorrência no sistema financeiro", afirma o economista.
Essa visão é compartilhada por outro economista. "Os bancos devem acirrar um pouco a competição no segundo semestre, pois há um excesso de recursos", prevê Alexandre Chaia, do Insper.
"O governo precisa avaliar as vantagens dessa política de incentivar créditos subsidiados às empresas", considera Leite.
"Se, por um lado, permite que o setor privado cresça, é evidente que essa política tem um limite. A partir desse patamar pode comprometer as finanças do Tesouro", alerta Alcides Leite.
Entre as modalidades de crédito para pessoas jurídicas, o financiamento de capital de giro manteve-se na liderança de volume de recursos. Essa modalidade cresceu 2,3% de maio para junho e atingiu R$ 235,85 bilhões.
"Esse crescimento de capital de giro aponta o financiamento de estoques e compras de insumo para atender à demanda do segundo semestre", explica Chaia.
Mas o economista do Insper acredita que o crescimento do crédito para pessoa jurídico foi tímido. "Ainda é um número modesto. Há alguns gargalos de crédito em infraestrutura mantidos pela incerteza dos bancos em emprestar com as devidas garantias", considera Chaia.
Com performance semelhante veio a modalidade de conta garantida, que avançou 2,6% no período apurado pelo BC.
O volume de financiamento da conta garantida elevou-se de R$ 50,24 bilhões em maio para R$ 51,57 bilhões em junho.
De acordo com o relatório do BC, o estoque total de crédito do sistema financeiro, incluídas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$ 1,529 trilhão em junho, elevando-se 2% no mês e 19,7% em doze meses. Esse volume passou a representar 45,7 % do PIB, comparativamente a 45,2% em maio e 41,8% em junho de 2009.
A estratégia dos bancos de dar maior atenção a empresas já começa a mostrar seus resultados no crédito: o volume de crédito para pessoas jurídicas cresceu 2,8% em junho e atingiu R$ 836,44 bilhões, segundo relatório divulgado ontem pelo Banco Central.
De acordo com o relatório da autoridade monetária, dos R$ 836,44 bilhões concedidos a empresas, R$ 511,63 bilhões, ou 61,16%, foram créditos de recursos livres. A diferença de R$ 324,81 bilhões, ou 38,84%, veio de recursos direcionados, com destaque para a forte atuação dos bancos estatais, como o BNDES.
Para efeito de comparação, o crédito para pessoas físicas avançou 1% no mesmo período, de R$ 685,4 bilhões em maio para R$ 692,56 bilhões em junho. Neste caso, a maior parte dos empréstimos tem origem nos recursos livres, com R$ 505,73 bilhões, ou 73% do total. Os recursos direcionados para pessoas físicas, predominantemente do crédito imobiliário, alcançaram R$ 186,83 bilhões, alta de 1,83%.
Um exemplo de banco que quer ampliar sua atuação junto às empresas é o HSBC. Ontem o banco anunciou que quer dobrar sua carteira de crédito para este segmento até 2012, e chegar a R$ 8 bilhões em estoque. O objetivo é aumentar de 5 a 7 pontos percentuais a participação do banco neste mercado. O grupo pretende ainda dobrar o número de companhias atendidas, indo das atuais 350 mil para 700 mil.
De acordo com o diretor de Empresas do banco, Marcelo Aleixo, este ano já serão injetados R$ 3 bilhões nas linhas de crédito para o segmento. "Duplicaremos os serviços de operações internacionais, reforçaremos a parceria com a Cielo, aumentaremos o prazo para empresas -pode variar em até 18 meses- e daremos 60 dias de carência." |