A moeda norte-americana teve um dia de queda, sendo equilibrada por um lado pela formação da PTax e por outro pela expectativa de ingressos de capital provenientes de captações e exportações. Na última negociação, a divisa foi vendida a R$ 1,762, com declínio de 0,45%. Mantendo a rotina, o Banco Central (BC) comprou dólares no mercado de câmbio doméstico a R$ 1,7652.
Analistas acreditam que a disputa pela Ptax (média das cotações apurada pelo BC) impediu que a queda do dólar fosse maior nesta quinta-feira. Isso, porque, os contratos de agosto vencem na próxima segunda-feira e a Ptax (taxa calculada pelo BC que serve de referência para os contratos futuros - será fechada amanhã).
No entanto, o que está contribuindo para a queda da moeda norte-americana nos últimos dias é a forte perspectiva de entrada de recursos externos. Além disso, continua a expectativa da realização, por parte do BC, de um leilão de swap cambial reverso, que na prática significa a compra de dólares no mercado futuro.
De acordo com um operador de câmbio, a tendência é de que as cotações continuem em queda. "Com as tensões internacionais se aliviando aos poucos, não há como segurar as taxas em um cenário de expectativa de novo aumento da taxa Selic em setembro", comenta um profissional. Segundo ele, o Brasil atrai recursos não só para arbitragem nos juros, mas também investimentos diretos devido às perspectivas de crescimento.
Foi divulgado esta semana o novo recorde de investimentos de empresas brasileiras multinacionais no exterior. No primeiro semestre de 2010, o investimento somou cerca de US$ 12 bilhões. Segundo o levantamento do BC, este é o melhor semestre da história - desde 1968, quando começaram a verificar este dado.
Para Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, a inserção de empresas brasileiras no exterior é uma tendência que veio para ficar. O mercado brasileiro tem um enorme atrativo e, sem sombra de dúvida, ajuda muito em tempos de crise. "A internacionalização é um fato irreversível. Governos e iniciativa privada andam juntos neste processo", avalia.
Na pauta do dia foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que não apresentou muitas surpresas, no entanto, deixou mais clara a postura do BC em relação à trajetória de juros no Brasil, sugerindo que houve uma adequação no ritmo da alta da taxa Selic, fixada em 10,75% ao ano. Para o mercado, o aperto monetário deve continuar em setembro.
No front externo, as bolsas europeias fecharam em nova baixa decorrente da volta das preocupações com o ritmo de crescimento da economia mundial. As atenções estão voltadas para a primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no segundo trimestre, que será divulgado amanhã. |