Com o fim da redução do IPI as parcelas foram alongadas.
São Paulo - Quem comprou um veículo financiado em junho vai demorar, em média, 44 meses para quitá-lo. O prazo calculado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) é o maior para um mês de junho desde 2000 e sete meses superior ao registrado no mesmo mês de 2009, quando o consumidor demorava 37 meses para financiar um automóvel.
Já o prazo máximo de financiamento não sofreu alteração na comparação com junho do ano passado e se manteve estável em 80 meses. O vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, explicou que os prazos de financiamento estavam em crescimento em 2008, mas a crise financeira mundial freou as altas.
No segundo semestre de 2009, o movimento de alta foi retomado e os prazos voltaram a ser ampliados. Cenário influenciado principalmente pelo redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos, que incentivou a compra de automóveis novos.
"As condições de crédito estão melhores, o país está crescendo, o número de empregos aumentando e o consumidor está mais confiante para a compra", destacou o executivo da Anefac. Na avaliação do professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, o aumento dos prazos é positivo. "Prazo mais longo é sinal de economia mais estável", disse.
No entanto, o professor alertou para a importância do diagnóstico financeiro antes de aderir a um financiamento longo e recomenda que a parcela não comprometa mais do que 30% do orçamento.
O especialista em finanças e desenvolvimento pessoal do Moneyfit, Antonio de Julio, reforçou o alerta. "As pessoas estão comprando muito por empolgação. Elas avaliam apenas o valor da prestação, esquecem as taxas de juros e não calculam quanto isso representará no final", ressaltou.
Segundo o especialista, o ideal é financiar o carro por, no máximo, dois anos. Depois desse período, os custos de manutenção podem começar a pesar no bolso. "Logo que o carro sai da loja desvaloriza 10% e nos dois primeiros anos, mais 10%. Por isso, quem vai comprar o primeiro carro e não tem dinheiro pode optar por um usado, com poucos anos de uso", sugeriu de Julio.
Foi o que fez a coordenadora de Relações Públicas, Helena Bernades, de 29 anos, que comprou um Celta modelo 2004/2005 no ano passado. "Sempre quis ter um carro. Uma amiga estava vendendo e resolvi comprar porque não tinha muitos anos de uso e pertencia a uma pessoa de confiança. Como não tinha dinheiro, a única alternativa foi recorrer a um financiamento", relembrou.
Antes de assinar o contrato do financiamento, a Relações Públicas pesquisou taxas de juros em três instituições financeiras. O negócio foi fechado com o pagamento de R$ 3,6 mil de entrada mais 37 parcelas de R$ 501. "Procuro não pensar em quanto vou pagar no valor final do carro", afirmou Helena, que quitará a última prestação em 2012 e não se arrepende do negócio fechado.
A tendência é que os prazos de financiamento continuem em alta nos próximos meses, de acordo com o vice-presidente da Anefac. "Tivemos um período de estabilidade devido às altas sofridas pela taxa básica de juros, a Selic, mas acredito que os prazos devem aumentar ainda mais com a boa fase da economia", afirmou Oliveira. |